Sábado, 26 de Janeiro de 2008

Cristianismo

A partir de Sócrates, a filosofia concentra-se no ser humano e suas relações. Entretanto, algumas questões que intrigaram os filósofos e suscitaram calorosos debates ainda provocam o mesmo hoje. Afinal, a existência possui algum significado? De onde viemos? Para onde vamos?

Bertrand Russell, famoso por seu discurso ateísta, tendo escrito um livro intitulado “Por que não sou cristão?”, descreve a vida de uma maneira eloqüente, sensível e até poética, contudo reflete uma perspectiva equivocada. “A vida do homem é uma longa marcha através da noite, cercada de inimigos invisíveis, torturada por cansaço e dor, na direção de um objetivo que poucos podem esperar alcançar e onde ninguém pode permanecer por muito tempo. Um por um, à medida que marcham, nossos companheiros somem de nossas vistas, alcançados pelas ordens silenciosas da morte onipotente. A vida do homem é breve e sem poderes. Sobre ele, e sobre toda sua raça, recai a condenação lenta e certa, impiedosa e sombria. Cego para o bem e o mal, imprudente ante a destruição, questões onipotentes rolam implacavelmente. Para o homem, condenado hoje a perder seus entes queridos, e amanhã ele mesmo tendo que passar pelos portões da escuridão, resta apenas acalentar, antes que desapareçam como um sopro, os pensamentos sublimes que enobrecem seus poucos dias”1.

De fato, a ciência e a razão não conseguem preencher a lacuna que existe na alma humana. Prova disso, é o discurso transcrito acima. Nota-se que esta visão manifesta-se de forma sobremodo restrita, dirigindo e definindo a criação como obra do acaso. E o que é mais nocivo, induz o incauto a pauta-se apenas nisso, ignorando a verdade: que existe um criador, que a vida tem um propósito e distante dEle não suportamos viver.

Diferente desta visão, os ensinamentos de Yeshua trazem respostas efetivas a todas as indagações filosóficas, pois “Ele conhece nossa estrutura” Salmos 103:14. Distinguindo-se pela autoridade e modo apurado de transmitir conhecimento, Yeshua demonstra com a própria vida os objetivos do Criador. Constata-se que esta efêmera existência aqui representa pouco perto da eternidade. E que não se deve focar os olhos somente neste mundo. Ao contrário, como declarou Paulo: “Não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que não se vêem” II Coríntios 4:18. Isto porque existe um lugar onde o sofrimento, a dor e a morte serão suprimidos, e a alegria reinará eternamente.

Os valores revolucionários apresentados por Yeshua, como o amor ao próximo, a valorização do ser humano, a ineficácia das preocupações, a importância de um planejamento organizado e eficiente, etc. traduzem a o zelo do Criador com seus filhos, o valor de uma vida e o cuidado com a orientação.

Por fim, a ressalva “Se esperarmos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens” I Co 15:19, aplica-se perfeitamente ao tema abordado. Agora, aguarda-se uma resposta que cabe a você, leitor, fornecer: quem você seguirá?


1 The autobiography of Bertrand Russell

Sábado, 19 de Janeiro de 2008

Explicação para o nome do blog.

Texto base Atos 24:14
“Mas confesso-te isto que, conforme aquele caminho que chamam seita, assim sirvo ao Deus de nossos pais, crendo tudo quanto está escrito na Torah e nos profetas.”

Caminho
Aeresis (grego): facção, sub-grupo, um ramo.
Ba Dereh (hebraico): trilha, marcha, estilo de vida.

Na época de Paulo, dos discípulos e de Yeshua (Jesus), existia um número considerável de seitas – ramificações do Judaísmo, tais como: fariseus, saduceus, essênios, zelotes, etc. Elas não representavam ameaça ao império Romano, enquanto que para a comunidade judaica, os seguidores de Yeshua, conhecidos como ‘Os do Caminho”, constituíam-se em apenas mais um grupo, seita. Vale ressaltar que as seitas não possuíam uma conotação negativa como o é atualmente.
O termo Cristianismo não existia, este foi criado depois que a Bíblia fechou seu Cânon, isto é, depois de ter passado 100 anos desde o apóstolo João ter escrito o livro de Apocalipse. O autor, um pai da igreja, teólogo de nacionalidade grega chamado Inácio (67-110 d.C.), nascido na cidade de Antioquia, em Damasco, ao norte do território israelita.
O objetivo da criação deste termo era fazer distinção entre aquela seita judaica que aumentava progressivamente o número de gentios e reduzia o número de judeus. Transformando esta nova igreja emergente em uma organização desprovida de características judaicas.
Essa explicação sucinta tem o fito de enfatizar o quanto é curioso o termo Caminho.
Por isso, utilizamos a expressão “Os do Caminho” como nome de nosso blog, porque os primeiros cristãos eram conhecidos desta forma. Entretanto, no judaísmo esta expressão tem um significado distinto, utilizada algumas vezes como sinônimo de trilha e também aplicada com um sentido metafórico profundo, que é literalmente estilo de vida, modo de viver, conduta, como relatado no texto de Gênesis capítulo 6. Retratando a geração de Noé, a passagem mencionada, ressalva o lastimável estado no qual esta encontrava-se, sucumbida em imoralidade, perversões, idolatria. Então, pode-se concluir que ela corrompeu seu caminho.
Uma curiosidade relevante é que a expressão “ homem espiritual” aparece 26 vezes em toda a Bíblia e em nenhuma usada por Yeshua. É citada apenas nas cartas de Paulo. Este fato, denota que Yeshua estava preocupado com o estilo de vida das pessoas, direcionando a espiritualidade para a prática de vida, muito diferente da pseudo-espiritualidade alardeada por alguns pregadores. O conceito de homem espiritual nas escrituras encontra-se atrelado a maneira como se vive, nunca indicando uma espiritualização exacerbada dos eventos ocorridos em nossa vida, o que pode sugerir que a Bíblia tem autoridade apenas na dimensão espiritual, esquecendo-se de casos comuns. Por exemplo, como os filhos devem ser criados, como ser uma dona de casa, como age uma boa mãe?
Contudo, através de uma leitura cuidadosa conclui-se facilmente que as escrituras contém respostas para as perguntas desde as simples, até as mais complexas. Ela ocupa-se de questões rotineiras, proporcionando ao ser humano o caminho para a felicidade plena.